sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Número 16 - 2ª edição de novembro

Atualização quinzenal, porque temos mais o que fazer.
Para ler a versão impressa, IMPRIMA!

Se liga 16!


Em muitos países, já seríamos adultos, com carteira de motorista e tudo! Estamos no número 16. Ainda bem que aqui no Brasil, as autoridades ainda deixam os menores fazerem besteiras por aí. Assim somos nós. A diferença é que nós a escrevemos.
Leia aqui as edições anteriores de O Desenfado ou peça pelo e-mail odesenfado@gmail.com.
Boa leitura! (boa?)
Equipe O Desenfado

Veja só (clicadinha para ampliar)

Testículo


Nossos tantos muros

Vartan Melikian

O tempo, quase sempre, é irônico. Quem imaginava que quando Pedro Bial apareceu, em 89, em frente ao Muro de Berlim, estaria cobrindo o primeiro de seus muitos paredões? O fim do comunismo estava sendo celebrado pelo futuro senhor “Big Brother”, expressão que, na verdade, surgiu no romance 1984, de George Orwell, para designar o ditador que promovia o excesso de vigilância do Estado.
Ora, nada é tão controlador como o Estado comunista. E nada é tão redentor como ver o fim deste controle ser noticiado por alguém que comandaria os Big Brothers. Mesmo que seja de forma metafórica.
Eu não sei se em uma das tantas noites de eliminação do Big Brother, o Bial, com sua impostação poética e charmosa, já fez alguma referência ao Muro de Berlim. Mas o fato é que o reality show da TV Globo tem pontos em comum com aquele momento histórico. Bem, e se não tiver, eu forço a barra para que tenha e salvo meu texto.
Ao ultrapassar os muros da casa, temos o impulso de dividir os participantes em duas turmas. Geralmente, o grupo do bem e o do mal. Sempre é difícil julgar quem pertence a cada categoria. Já o Muro de Berlim dividia, simplesmente, o mundo entre dois sistemas. Agora, pensemos numa casa onde, de um lado, estariam Stalin e Fidel, calando e fuzilando seus adversários. Do outro, Kennedy e Bush, patrocinando golpes, produzindo terroristas, promovendo guerras e fomentando a indústria bélica. Qual seria a turma do bem e a turma do mal? Quem você gostaria de eliminar? Ligue, participe!
Outro ponto é a assistência que a produção do Big Brother fornece aos participantes. Do lado de dentro do muro, eles têm direito a alimentação, segurança, conforto etc. Em troca, perde-se a liberdade. Dizem que em Berlim Oriental era assim. O cidadão tinha direito a educação, saúde e emprego (conforto já era demais. Isso é coisa de capitalista!). Mas se quisesse dar aquela espiadinha do outro lado, era eliminado. Fuzilado mesmo no paredão.
Os muros do Projac e de Berlim me dão a sensação de que o ser humano aceita se confinar numa casa em busca de seu sonho. Seja o sonho de um milhão de reais ou dos 15 minutos de fama. Mas não se confina numa cidade em troca da garantia de necessidades básicas. Assim, torna-se capaz de destruir muros reais ou imaginários para ir atrás de seus desejos, nem que seja a promoção nº1 do McDonald´s.

Esporte esportivo (clique e amplie essa porra)

Lançamentos do momento

Situação que dificilmente veremos (clique e amplie)



quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Número 15 - 1ª edição de novembro

Atualização quinzenal, porque temos mais o que fazer.
Para ler a versão impressa, IMPRIMA!
Ficamos na dúvida se não tínhamos pago a conta de luz, como costuma acontecer. Mas foi mesmo o apagão. Assim, só deu pra escrever isso no editorial...e à mão...
Para conferir nossas edições anteriores, acesse o conteúdo deste blog ou peça pelo e-mail odesenfado@gmail.com.


Equipe O Desenfado

Apagão (clique p/ ampliar antes que falte luz)

Que coisas! (clique e amplie)



Testículo


Significados insignificantes
Vartan Melikian


(Baseado em uma história real. Tenho testemunhas.)
Por muito tempo eu fiquei indeciso em escrever esta crônica. Não, o texto não tem nada de bombástico, revelador. São apenas as pérolas de um amigo que tem o dom, se assim podemos dizer, de trocar os significados das palavras. Ele, inclusive, tem uma gramática boa e até usa as prepotentes mesóclises, mas tem uma incompatibilidade com o dicionário.
A dúvida em fazer o texto era a seguinte: eu correria o risco de as pessoas rirem dele e não da história. Por isso, omito o nome do meu amigo. Até porque ele é botafoguense e já vem aguentando gozações demais. E para falar a verdade, acho injustas todas as críticas a seu vocabulário. Porque, no fundo, acredito que ele esteja certo e os dicionários, errados. Amigo da gente sempre tem razão.
Veja se não faria mais sentido se a língua portuguesa se rendesse a ele:
- Vartan, era uma festança daquelas. Mas, de repente, deu um holocausto e apagou tudo.
Não sei por que “holocausto” tem o significado que tem em português. Funcionaria muito melhor se fosse a tradução de blackout. Sua sonoridade faz todo sentido. As duas primeiras sílabas transmitem uma pronúncia linear (ho-lo), tudo vai muito bem. A terceira (cau) dá a sensação de uma explosãozinha, talvez o transformador da esquina. Em seguida, um fonema seco (to). Pronto! Apagou tudo.
Não, não apaguem o texto da sua tela. Eu tenho argumentos melhores a favor dele.
Num passeio de escuna em Paraty, ele aconselhou um amigo que não sabia nadar.
- Márcio, tome cuidado. O mar é imprescindível!
Márcio, coitado, não entendeu o recado. Se não fossem os guarda-vidas... Depois de receber uma respiração boca a boca do sargento Serjão, Márcio quis culpar meu amigo. Ele desconhecia o fundamento histórico deste conselho. Afinal, no século XV, os ibéricos já diziam que o mar era imprescindível. Só mais tarde, ao errar o caminho para Índias e parar no Brasil, Cabral soltou a frase lusitana: “O mar é imprevisível”.
Foi nesse passeio, inclusive, que ele revelou o motivo de ter deixado a namorada:
- Ah, a gente não estava se coagulando muito bem.
Seja o que for que ele quis dizer, eu entendi perfeitamente porque eles se separaram.
Aliás, algumas palavras em português não merecem o peso que têm. Por exemplo: defenestrar quer dizer somente “atirar algo pela janela”. Ora, pela sonoridade, defenestrar deveria ser uma catástrofe ou, no mínimo, um desastre.
Suplente é outra palavra que, pela sua aparência pomposa, dá a impressão de ser muito mais do que significa:
- Ninguém te atendeu??? Chamarei o suplente.
Falando assim, parece que vem alguém de uma instância superior para resolver todos os problemas: capaz de promover a justiça social, lutar pela paz entre as nações e exigir o fim dos alimentos que contém glutém. Ele é o SUPLENTE! Mas quem chega é um mero substituto da atendente.
E pernóstico? Toda vez que escuto esta palavra parece que estamos falando de um criminoso, daqueles capazes de atrocidades. E mesmo quando me lembram que a palavra é só um adjetivo geralmente usado para quem fala com suposta propriedade de um assunto que não tem muita ideia, ainda assim tenho medo dos pernósticos.
Que esses tais pernósticos não comentem esse texto, como fazem com as frases do meu amigo. Deus me livre!

Três explicações (amplie em um clique)