sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Outro testículo

Que belo Dia dos namorados...
Paulo Dodô

7h30. Viro na cama e vejo a Vilma, minha mulher. Nome engraçado, né? É um daqueles nomes de pessoas que a gente só consegue pensar como idosas. Sabe aqueles do tipo Ruth, Zilda, Ubaldo, Horácio etc. Pois é, não dá pra imaginar que já foram crianças. Desculpas a quem tem ou conhece alguém com esses nomes. Não tive a intenção de ofender ninguém. Os pais já se encarregaram disso...
Eu e Vilma estamos juntos há oito anos e nos conhecemos numa festa à fantasia no Dia dos Namorados. A Vilma, sem muita originalidade, foi vestida de Vilma dos Flinstones. Eu, que me chamo Cristóvão (tá bom, concordo que meu nome está naquela lista...) fui fantasiado de Fred. Seria o destino agindo de forma perfeita, certo? Errado! Além de mim, havia dezenas de Freds e todos foram falar com ela. Uma a uma, as investidas foram negadas.
Eu tinha que ter uma cantada diferente de mim, quer dizer dos Freds. Tentei pensar em algo engraçado, mas não consegui e desisti. Ela dizendo não pra todo mundo e eu dizendo sim pra todo copo de cerveja que passava. Não podia dar certo. Resolvi ir embora. Aí, ouvi: “Fred, não vai levar a Vilma pra casa?” Surpresa total! Era ela!
Daí, oito anos juntos. Mas a paixão do começo foi esfriando. Hoje, também Dia dos Namorados, eu precisava fazer com que o nosso amor voltasse. Levantei da cama, tomei banho e fui trabalhar. Parei para tomar um café no boteco da esquina. Pedi uma média e um pão na chapa. O pão estava ótimo. A média, média.
Super original, comprei um livro de presente na livraria em que trabalho. Para compensar a pouca criatividade, decidi fazer uma doideira: arrumar as malas e viajar com ela por uns dois ou três dias! Isso ia fazer com que a gente voltasse ao que era! Mas antes, passei numa loja e comprei uma fantasia de Fred. Ela ia adorar! Ia rir muito!
Cheguei em casa e ela estava no quarto. Vesti a fantasia e entrei correndo. Pra minha surpresa, não estava sozinha e tampouco vestida. Na cama, nua, Vilma me olhava e procurava o meu olhar. Eu, atônito, não consegui olhar pra ela. Não por raiva, medo ou vergonha. Eu estava ocupado olhando pra quem dividia a cama com ela. Juntas, nuas e constrangidas: a minha Vilma e a Beth dela, sua manicure.

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