quinta-feira, 1 de abril de 2010

Testículo


Pura verdade: amor incondicional pela minha sogra
Paulo Dodô
Eu amo a minha sogra. Não consigo imaginar a vida sem ela.
Tanto que, quando minha mulher e eu decidimos viajar para a Disney, eu bati o pé, fiz beicinho e disse que a minha sogrinha do coração tinha que ir com a gente. Ah, com certeza eu fiz isso...
Na hora de botar tudo no papel, percebi que o custo da viagem ia aumentar vertiginosamente, já que a minha querida sogrinha não queria tirar nada do bolso. Só depois vi que aquele gasto poderia se tornar um investimento.
Misteriosamente, não me pergunte como, o passaporte dela sumiu na primeira conexão, já nos EUA. Eu, de forma gentil, tentava explicar que não seria possível que ela seguisse a viagem com a gente. Ela estava em prantos. Fiquei tão emocionado...
Mas aí um milagre aconteceu: ela encontrou o passaporte em uma lata de lixo, próxima de onde estávamos, quando se abaixou para procurar o calmante que tinha caído. Que sorte. Dela. Fiquei tão emocionado...
Em Orlando, ah, como nos divertimos! Minha sogra nos acompanhava em todas as atrações. E fazia questão de ir com a minha mulher em todos os brinquedos, enquanto eu dividia os carrinhos com pessoas desconhecidas. Foi realmente tão divertido...
Já no fim da viagem, me toquei que aqueles momentos maravilhosos iriam acabar e que voltaríamos os três para a vida real. De repente, tive um estalo: por que não arrumar um emprego para a minha amada sogra na Disney? Eu sentiria muita, muita e muita falta dela, mas ela estaria atuando em lugar em que todo mundo já pensou em trabalhar!
Tive como primeira ideia perguntar se havia vaga para as bruxas e monstros vivos no trem fantasma. Informei que minha sogra era muito dramática e que não precisaria de treinamento, tampouco maquiagem. Ao mostrar uma foto dela, obtive uma resposta negativa. A encarregada me disse que a atração não poderia ser tão assustadora, porque era visitada por crianças.
Depois pensei que ela poderia ser piloto de teste nos brinquedos perigosos. Ela é muito agitada e adora criar confusão e achei que tinha tudo a ver com o seu perfil. Fui logo desacreditado por um funcionário que me disse que ela era muito idosa e que poderia não suportar os testes pesados. Eu ponderei que ela era uma pessoa insistente e teimosa e que, se o pior acontecesse, ela estaria cumprindo a sua função, o que seria muito gratificante para ela. E para mim. Não adiantou.
No final das contas, depois de várias tentativas, desisti de arrumar um emprego pra minha sogrinha.
Voltamos e já estou programando a próxima viagem para fevereiro. Infelizmente a minha sogrinha não vai com a gente. Ela vai desfilar no Salgueiro, afinal de contas, a escola de samba é um caldeirão.

Um comentário:

Raul disse...

Quer trocar pela minha sogra? Aliás, quer ficar com as duas?HAHA
Abraço!
Raul