quinta-feira, 22 de abril de 2010

Testículo


Apocalipse no trânsito
Paulo Dodô

Os fiéis que estiveram no evento religioso na Praia de Botafogo, em pleno feriado de Tiradentes, que me desculpem: aquilo tava um inferno!
Os engarrafamentos no bairro duraram horas e se estenderem até o Centro da cidade. Ao largar meu carro a alguns metros de casa, até comecei a pensar se a ideia de criar o engarrafamento não teria sido arquitetada pela Igreja Universal.
Sabe, no caminho até meu apartamento, ouvi gritos dos carros parados que pareciam sinceras expressões religiosas: “Nossa Senhora!”, “Cruz credo!”; “Que inferno!”; “Meu Deus!”.
Deve ter sido uma jogada dos organizadores do evento para estimular a religiosidade. Só pode.
E não foi só na hora complicada. Quando o trânsito começou a fluir, como eu ouvi gritos da janela de casa: “Aleluia!”, “Aleluia!”.
Bem, mas tá tudo bem, afinal, a Prefeitura do Rio se confessou ingênua e pediu desculpas pelo engarrafamento e disse que não sabia que iria haver tantos ônibus.
Realmente é difícil prever que a Igreja Universal, que tem filiais espalhadas por todo o Brasil e pelo mundo, possui até uma emissora de televisão e tem milhares de seguidores levaria um rebanho tão grande de gente à Praia de Botafogo.
Mas, me pergunto, e um guardinha na rua pra dar uma mãozinha com os sinais e cruzamentos? Não dava pra ter rolado?
Talvez nossos policiais ainda estivessem cansados ou resfriados por terem trabalhado na passeata em defesa dos royalties do petróleo. No dia choveu muito. Opa, isso também é papo pra mais desculpa, ou melhor, perdão...
O brabo é que, nessas situações, somos nós quem pagamos a penitência pelos pecados dos outros...

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