quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Chefe medíocre

Dizem que as pessoas passam a maior parte da vida dormindo. Discordo. Se pararmos pra pensar, passamos grande parte do tempo trabalhando.


Entre o ato de dormir e o fato de trabalhar, existem muitas semelhanças. Assim como no sono, a maior parte do trabalho é um pesadelo. Temos sonhos, claro, mas, quase sempre nos esquecemos deles, como quando dormimos. A gente esquece porque, como nos cochilos, eles não são reais, isto é, não se realizam. A maior parte das vezes.

Brincar, quando se cresce, vira trabalhar. E os monstros que sempre tememos e nos fizeram manter a luz acesa para dormir, hoje são os nossos chefes.

Outro dia, ouvi uma história de um amigo que, de repente, acordou pra vida e viu que precisava mudar de emprego. Na empresa há três meses, logo ele despertou para o fato de que no seu setor só havia profissionais medíocres.

Agora de olhos abertos, percebeu que o chefe só tinha escolhido pessoas medíocres para se destacar no meio deles. Você já passou por isso? Mesmo que tivesse passado não iria admitir, né?

O pior de tudo é que, ao chegar a essa conclusão, esse amigo viu que ele também era um medíocre no meio do bando de boçais. Imagine como ficou mal. Viu que o perfil dele tinha se encaixado nas especificações da equipe. Uma equipe de medíocres.

Cheguei a pensar se ele não estava sendo arrogante. Não. É uma cara bacana. Se ele estava dizendo, era verdade.

Para não se achar o pior dos homens, meu amigo começou a fantasiar que o RH teria se equivocado na seleção da vaga. Eles teriam errado e o achado medíocre, mas ele não o era. Ele dizia a si mesmo que não era. Só assim conseguia seguir adiante e trabalhar. E foi assim por algumas semanas.

Um dia o chefe o chamou na sala e disse que ele era o melhor funcionário do setor. Meio entorpecido, quase desmaiou. A fantasia do RH tinha se desfeito. O que aquele comentário significava? Que ele era o melhor! O melhor medíocre entre todos os medíocres da equipe!

No dia seguinte, ele resolveu tornar em um o ato de dormir e trabalhar e cochilou sem hora pra acordar. Não foi ao escritório.

No outro dia, chegou à empresa, foi chamado à sala do chefe e foi demitido. O dia anterior era importante e ele tinha faltado. Num misto de alegria e raiva, levantou-se da cadeira em que estava sentado e se desequilibrou. Foi ao chão.

Acordou no chão de casa e percebeu que tudo não passara de um sonho. Triste e desanimado, se espreguiçou e levantou-se para viver mais um dia de pesadelo com sua equipe medíocre, seu chefe medíocre na sua empresa medíocre.

Sonhar não custa nada. Quem sabe um dia isso não muda? Pra ele e pra quem mais precisar.


Hugo Stozin

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