quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Pôquer no céu


Depois de muitos milênios, Deus e o diabo resolveram se encontrar. A ocasião escolhida foi um jogo de pôquer, organizado no céu.

Foram convidadas figuras conhecidas, mas logo de cara, Deus disse a Jesus que Ele não jogaria, por ser café com leite.

Como dealer, que é o cara que distribui as cartas, foi escolhido o Salomão, reconhecidamente hábil no corte.

Moisés, acostumado a separar as coisas, dividiu as fichas para cada jogador.

Já no começo do jogo, o diabo e Judas já se juntaram para roubar. Trocaram cartas e diversas vezes mostraram o jogo um ao outro. Nos olhos azuis de GabrieL, que refletiam as mãos dos adversários, ambos se fartaram vendo as cartas alheias.

São Pedro, um workaholic que não consegue parar de pensar em sol e chuva, fugiu da maioria das jogadas e só ficou no pingo.

Jesus, coitado, acabou virando garçom e trazia, repetidamente, múltiplas porções de sardinha, pão em excesso e vinho, esse último um tanto quando aguado. Quase foi “recrucificado” porque derramou a bandeja, quando Amy, de passagem, tentou pegar uma taça.

Depois de três séculos de jogo, na rodada final, Deus deu um berro e disse all in, que significa uma aposta com todas as fichas. O diabo, que é malandro, disse que entraria se o all in fosse all in mesmo. Ele queria que a aposta fosse de tudo. Almas, coisas, a Terra. Resumindo: todo o universo.

Deus, sempre sábio, refletiu um pouco e aceitou. Ele mostrou seu jogo e esperou que o diabo, muito confiante, mostrasse o dele. Mas o satanás desistiu e nem virou as cartas.

O espanto foi geral. Diante das atitudes sempre arrojadas do demônio, que nunca tinha abandonado uma jogada sequer, aquele refugo pareceu estranho.

O que ninguém sabia, exceto o comparsa Judas, é que, pela primeira vez na vida, o capeta havia sido prudente. Afinal de contas, com a quadra de ases que Deus mostrou, seria difícil ganhar com dois pares. Um deles de reis e o outro de ases.


Hugo Stozin

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